Lado B do PT

Militante petista exonerada do governo após denúncias ‘emplaca’ cunhada na gestão de Gladson Cameli

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redacao@diariodoacre.com.br

Eleito no embalo do antipetismo que se alastrou pelo país nas eleições de outubro de 2018, o governador do Acre, Gladson Cameli (Progressistas), chega aos cem primeiros dias de mandato com a imagem desgastada ante a opinião pública. A principal reclamação do eleitor comum decorre das muitas nomeações de antigos adversários políticos para cargos de confiança na atual gestão. Já para apoiadores, militantes e cabos-eleitorais, o tema se tornou motivo de muita revolta.

Acuado pelo alarido nas redes sociais e nos grupos do aplicativo WhatsApp, Gladson tratou de anunciar a anulação dos decretos que beneficiavam alguns apoiadores do adversário Marcus Alexandre. Tudo jogo de cena, porém.

Despetização prometida por Gladson não saiu do papel/Foto: internet

O caso mais emblemático tem como protagonista o autodenominado jornalista Hedislandes Gadelha, outrora aguerrido militante pró-PT nas redes sociais. Até outubro do ano passado, Gadelha desdenhava o então candidato do Progressistas em suas muitas postagens no Facebook, a maioria das quais chegava ao ponto de atacar a honra do oponente de Marcus Alexandre. O detrator de Cameli não só foi ‘absolvido’ da virulência como também agraciado com cargo de livre nomeação, categoria CEC-6, cujos proventos mensais correspondem a mais de R$ 6,7 mil.

Após reação em massa nas redes sociais, Gladson foi obrigado a anular o decreto dias antes assinado por ele próprio. Misteriosamente, Hedislandes continua a louvaminhar o governador em sua página no Facebook.

De mentirinha
Militante de carteirinha do Partido dos Trabalhadores e ferrenha defensora da candidatura de Marcus Alexandre, Josinete Gomes Brasil foi admitida na administração pública estadual pela caneta do governador em exercício Major Rocha (PSDB). No pacote de nomeações constava ainda Tayle Maria Sena Dourado, esposa do ex-presidente da Empresa Municipal de Urbanismo de Rio Branco (Emurb) Jackson Marinheiro, acusado de chefiar um suposto esquema de desvio de recursos públicos da prefeitura na gestão do PT e preso recentemente.

Egressa do governo de Tião Viana, no qual exercia função relativa a uma CEC-1, na gestão de Cameli Josinete foi promovida a CEC-6. Seu ingresso no governo se deu no final de fevereiro, bem como a anulação do decreto de nomeação, após denúncia feita pela imprensa. O mesmo ocorreu com a mulher de Marinheiro.

Nomeação de Fabíola, cunhada de Josinete, se deu logo após exoneração desta última/Reprodução

Curiosamente, no Diário Oficial do Estado do dia 1º de março foi publicado o decreto de nomeação, para o cargo que deveria ter sido ocupado por Josinete na Fundação Hospitalar do Acre, de Fabíola da Silva Lima, apontada como cunhada da primeira.

As duas, inclusive, aparecem em uma fotografia enviada à reportagem do Diário do Acre.

Josinete e Fabíola/Reprodução

Outro exemplo de que a despetização prometida por Cameli não passou de promessa de campanha pode ser conferida através do Portal da Transparência do governo.

Técnico em gestão pública na gestão de Tião Viana (PT), com remuneração mensal de quase R$ 16 mil, Lonmario Moraes do Valle ganhou ingresso na atual gestão como chefe de departamento, com salário um pouco menor: R$ 12.715,12.

Mais recentemente, Gladson tratou de brindar o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Acre Elson Santiago com cargo de assessor especial do governo – mesmo posto ocupado por ele na gestão do petista Tião Viana, após derrota nas urnas nas eleições de 2014.

Lonmario Valle: contemplado no governo do PT e lembrado por Gladson Cameli/Reprodução

A mulher do atual deputado e presidente do PDT no Acre, Luiz Tchê, eleito pela coligação Frente Popular, também ganhou ingresso na administração estadual. Ex-coordenadora de Planejamento na gestão passada, Nara Regina Schaffer virou chefe de departamento no Instituto de Assistência e Inclusão Social (IAIS), com salário de R$ 10,5 mil.

Herdeiro de um rombo fiscal avaliado em R$ 800 milhões, decorrente da gastança irresponsável na gestão do antecessor, Gladson Cameli, antes mesmo de assumir o mandato, tratou de diminuir os cargos em comissão de cerca de 2,3 mil para apenas 900 – grande parte dos quais ocupados, agora, por críticos outrora implacáveis e virulentos.